sexta-feira, 30/10/2026

Desvendando os Animais em Corridas: Quem Pode Ser Derrotado e Quem é Imbatível

Durante uma experiência de acampamento nos Estados Unidos, um encontro inesperado com um urso-negro me levou a refletir sobre a velocidade desses animais e minha própria capacidade de correr. A constatação de que um…

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Durante uma experiência de acampamento nos Estados Unidos, um encontro inesperado com um urso-negro me levou a refletir sobre a velocidade desses animais e minha própria capacidade de correr. A constatação de que um urso pode atingir até 48 km/h foi um choque, levando-me a ponderar: quais criaturas eu realmente conseguiria vencer em uma corrida? Essa curiosidade se intensificou nas minhas corridas em Londres, especialmente a respeito de pequenos animais como esquilos e texugos, que poderiam ser mais agressivos do que se imagina.

Embora a ideia de uma Olimpíada animal possa parecer absurda, cientistas têm se dedicado a estudar a velocidade de centenas de espécies, desde roedores até grandes mamíferos. O resultado dessas pesquisas revela surpresas e questionamentos sobre como a velocidade se relaciona com a massa corporal e a resistência dos animais.

A evolução das técnicas de medição de velocidade é fascinante. No passado, naturalistas usavam métodos duvidosos, como dirigir carros ao lado de antílopes para forçá-los a correr. Atualmente, o uso de tecnologias como GPS permite uma captura mais precisa e ética das velocidades no habitat natural. Um estudo recente com guepardos indicou que eles podem atingir impressionantes 93 km/h, uma velocidade que, até então, era baseada em métodos menos confiáveis.

Quando analisamos a relação entre massa corporal e velocidade, a bióloga Myriam Hirt constatou que a lógica não é tão simples. Embora animais maiores possuam mais massa muscular, isso não os torna necessariamente mais rápidos. A resistência e a capacidade de aceleração são fatores determinantes. Por exemplo, um elefante-africano pode correr até 35 km/h, mas seu início é mais lento que o de um humano. Isso levanta a possibilidade de que, em distâncias curtas, alguns corredores possam até superá-los.

Enquanto grandes animais possuem dificuldades em manter velocidades máximas por longos períodos, o mesmo não se aplica a predadores como o antílope-americano, que desenvolveu a resistência necessária para escapar de ameaças. Os humanos, por sua vez, foram moldados pela evolução para longas distâncias, uma adaptação que nos permite manter um ritmo constante por maior tempo, mesmo que isso não nos coloque no topo do ranking de velocidade em distâncias curtas.

Quando se trata de corridas mais longas, os dados são escassos, mas algumas espécies, como os huskies siberianos, demonstram potencial para vencer humanos em maratonas. Eles são exemplares de resistência, capazes de manter um ritmo elevado por distâncias extensas, o que nos leva a questionar nossa posição no reino animal em termos de corrida de longa distância.

Ainda que a corrida de longa distância esteja mais alinhada com nossa fisiologia, a determinação mental e a capacidade de suportar desconforto nos diferenciam. A corrida de resistência se resume a um teste de vontade, algo que talvez não se encontre facilmente no reino animal. No final das contas, embora possamos nos sentir seguros para correr em um parque, a perspectiva de um encontro com um esquilo ou texugo pode nos levar a repensar nossa velocidade — e talvez a necessidade de um treinamento mais intenso.

Crédito da imagem: Getty Images via BBC