A mais recente análise do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revela um cenário preocupante para o futuro do clima global. Com a atual trajetória de emissões de gases de efeito estufa, a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais parece cada vez mais distante. O relatório, divulgado nesta quarta-feira (21), aponta que, mesmo que todos os países cumpram suas promessas climáticas, a temperatura média do planeta poderá subir até 2,6°C até o final do século.
O documento, que é parte da 17ª edição do Relatório sobre a Lacuna de Emissões, destaca que medidas mais rigorosas poderiam limitar o aquecimento a um pico de 1,7°C a 1,8°C por volta de 2050, com uma eventual queda para 1,5°C até 2100. No entanto, esse resultado exigiria cortes drásticos nas emissões, com uma redução de 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. Comparativamente, o cumprimento total das promessas climáticas atuais resultaria em uma redução bem menos significativa, entre 5% e 8% até 2030.
António Guterres, secretário-geral da ONU, sublinhou em sua mensagem que ainda é viável mitigar a gravidade da situação, afirmando que “ultrapassar o limite não significa rendição”. Ele enfatizou a urgência de uma diminuição de quase 6% nas emissões anuais até 2035 para reverter o aquecimento global. O relatório também alerta que cada ano adicional acima de 1,5°C pode intensificar os impactos das mudanças climáticas, como ondas de calor extremas e eventos climáticos severos.
Embora as emissões globais de gases de efeito estufa tenham permanecido em níveis alarmantes, a ONU aponta avanços na adoção de energias renováveis. Desde a implementação do Acordo de Paris, a capacidade de geração de eletricidade por fontes limpas cresceu de maneira exponencial, especialmente na energia solar. Esse progresso, no entanto, precisa ser ampliado urgentemente para evitar que o aquecimento ultrapasse limites críticos.
À medida que as consequências das mudanças climáticas se tornam mais evidentes, a pressão sobre os líderes mundiais aumenta. O relatório enfatiza que, sem uma ação decisiva e coordenada, a possibilidade de resgatar a meta de 1,5°C pode se esvair nos próximos anos, tornando essencial uma mudança radical nas políticas de emissões e no uso de recursos energéticos.




