Um incêndio de grandes proporções está consumindo a região do Rio Urubu, na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas, levantando preocupações sobre uma possível ação criminosa deliberada por trás deste desastre ambiental. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, revelou à AFP que o governo federal está investigando a situação e não descarta uma conexão com o período eleitoral, à medida que o estado enfrenta um número alarmante de focos de incêndio.
Desde o início de outubro, o Amazonas já registrou quase o dobro de queimadas em relação ao mesmo mês de 2025, cobrindo a capital, Manaus, com uma densa nuvem de fumaça. O fenômeno climático El Niño, que provoca secas e eleva as temperaturas, também está contribuindo para o agravamento da situação na maior floresta tropical do mundo.
Durante um sobrevoo nas áreas afetadas, Capobianco se deparou com “centenas” de focos de incêndio em regiões de floresta preservada, indicando que esses incêndios não são resultado de queimadas agrícolas, mas sim de “uma ação criminosa deliberada”, destinada à degradação de áreas de floresta e à ocupação irregular de terras. O ministro afirmou que os responsáveis estão agindo de maneira “aparentemente organizada e muito intensa”.
Além disso, Capobianco afirmou que a possibilidade de uma conexão direta com o período eleitoral está sendo considerada, especialmente após a utilização dessa informação por alguns políticos em campanhas. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atribuindo a negligência do governo à atual crise ambiental.
Na próxima quarta-feira, Capobianco se reunirá em Manaus com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além de investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em uma operação para identificar os responsáveis pelos incêndios. A Polícia do estado do Amazonas também está envolvida nas investigações.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas já contabiliza 1.608 focos de queimadas neste mês, em comparação a 874 em outubro de 2025. Em setembro, o estado havia registrado mais de 3.700 focos, um aumento quase quatro vezes maior do que no ano anterior. Apesar das chuvas, a fumaça continua a comprometer a qualidade do ar em Manaus, levando a Prefeitura a fechar as escolas públicas desde a última sexta-feira.
Em resposta à crise, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas, com a expectativa de reverter a situação em breve. O ministro Capobianco também destacou que, entre 2022 e 2025, o desmatamento na Amazônia foi reduzido pela metade, um dado que contrasta com a atual emergência enfrentada pela região.
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