quarta-feira, 28/10/2026

Estudo aponta que onda de calor na Europa resultou em mais de 50 mil óbitos em 2026

O verão de 2026 será lembrado na Europa não apenas pelo calor intenso, mas também pelas mais de 50 mil vidas perdidas devido a seus efeitos devastadores. Um novo estudo, divulgado nesta sexta-feira (23),…

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O verão de 2026 será lembrado na Europa não apenas pelo calor intenso, mas também pelas mais de 50 mil vidas perdidas devido a seus efeitos devastadores. Um novo estudo, divulgado nesta sexta-feira (23), revela que 32,6 mil dessas mortes, representando 65% do total, estão diretamente ligadas ao aquecimento global, resultado da queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas.

Realizada por cientistas do Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, a pesquisa analisou 854 cidades em 30 países europeus, destacando que o total de 50.391 mortes associadas ao calor entre junho e agosto de 2026 é o mais alto desde o início da série histórica em 2000. O estudo foi publicado na revista “Nature Health”. O verão desse ano não só foi o mais quente da parte ocidental da Europa, mas também o terceiro mais quente em todo o continente, segundo dados do serviço climático europeu Copernicus.

De acordo com as análises, as temperaturas médias nas cidades estudadas ultrapassaram em 2,4°C os padrões observados entre 1991 e 2020. Um período crítico ocorreu entre 17 de junho e 1º de julho, quando as temperaturas diárias atingiram um aumento médio de 5,3°C. Entre os países mais afetados, a Itália liderou com 13.303 mortes, seguida pela França com 7.268, a Espanha com 6.824, a Alemanha com 6.340 e o Reino Unido com 4.354.

O sul da Europa foi a região mais impactada, contabilizando 22,2 mil mortes. A análise também aponta que os idosos foram as principais vítimas, com cerca de 22,5 mil falecimentos entre aqueles com 85 anos ou mais. Mesmo assim, aproximadamente 6 mil mortes foram registradas entre pessoas com menos de 65 anos, evidenciando que o calor extremo pode agravar doenças preexistentes e levar a fatalidades que não são sempre diretamente atribuídas às altas temperaturas.

Para chegar a esses números, os pesquisadores combinaram dados de temperatura, população e mortalidade, comparando a realidade do verão de 2026 com simulações de cenários sem a influência do aquecimento global. Embora os dados sejam estimativas e se limitem às cidades estudadas, que representam cerca de 173 milhões de habitantes, é provável que o número total de mortes associadas ao calor em toda a Europa seja ainda maior.

Clair Barnes, uma das autoras do estudo, expressou a certeza de que o verão de 2026 foi o mais letal em relação às mortes causadas pelo calor na maior parte da Europa. Os pesquisadores fazem um apelo por ações imediatas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e implementar medidas de proteção para a população durante os períodos de calor extremo, ressaltando a urgência de uma resposta eficaz diante das mudanças climáticas.