Os dados mais recentes do Observatório do Clima revelam uma significativa queda de 6% nas emissões de gases de efeito estufa do Brasil em 2025, resultando no menor nível registrado em oito anos. Com um total de 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente liberadas, o país se aproxima de suas metas climáticas estipuladas no Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento global.
O relatório, parte da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), destaca que a redução das emissões foi impulsionada principalmente pela diminuição do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Em 2024, as emissões haviam alcançado 2,19 bilhões de toneladas, o que torna a nova marca um sinal positivo, mesmo que o Brasil ainda esteja a 85 milhões de toneladas acima de sua meta de 2025.
As emissões líquidas, que consideram o carbono absorvido pela vegetação e florestas em áreas protegidas, tiveram uma redução ainda mais acentuada de 9%, totalizando 1,41 bilhão de toneladas. Essa é a menor cifra desde 2012, embora o país ainda necessite de esforços adicionais para atingir a meta de 1,32 bilhão de toneladas até o final de 2025.
David Tsai, coordenador do SEEG, expressou preocupação com a dependência das reduções climáticas de apenas um setor: o uso da terra. Ele enfatizou a urgência de diversificar os esforços de redução de emissões em outras áreas da economia para que o Brasil cumpra suas obrigações climáticas futuras.
A queda no desmatamento, que foi a principal responsável pela diminuição das emissões, apresentou um panorama otimista. As emissões associadas à mudança de uso da terra caíram 15%, passando de 957 milhões para 814 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Apesar desse avanço, o desmatamento permanece como a maior fonte de emissões, representando 39% do total no Brasil.
Nos setores de agropecuária e energia, no entanto, os números não foram tão alentadores. As emissões no setor agropecuário se mantiveram praticamente estáveis, enquanto as do setor de energia aumentaram 1,2%, principalmente devido ao maior consumo de combustíveis fósseis nos transportes. Essa situação ressalta a complexidade da jornada do Brasil em direção a um futuro mais sustentável.
Os pesquisadores concordam que o sucesso nas políticas de controle do desmatamento é um fator decisivo, mas para um progresso real e duradouro, será necessário um comprometimento efetivo na redução das emissões em todos os setores, especialmente na agropecuária e na geração de energia. A luta contra a crise climática exige um engajamento coletivo e ações integradas que transcendam as fronteiras de um único setor.
Crédito da imagem: O que é o efeito estufa e o que ele tem a ver com a COP?




