quarta-feira, 28/10/2026

Flávio recebe críticas de entidades por declaração sobre flexibilização de normas ambientais para agricultores

As recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, geraram uma onda de críticas de entidades ambientalistas. Durante um evento de campanha em Marabá (PA), Flávio defendeu a necessidade de eliminar…

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As recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, geraram uma onda de críticas de entidades ambientalistas. Durante um evento de campanha em Marabá (PA), Flávio defendeu a necessidade de eliminar o que chamou de “entraves ambientais”, permitindo que proprietários rurais exerçam plena liberdade em suas terras. Essa postura, segundo especialistas, reflete uma visão arcaica e preocupante sobre a preservação da Amazônia.

Em sua fala, o senador prometeu realizar a “maior regularização fundiária que o Pará já viu”, assegurando que os proprietários teriam total autonomia para plantar e criar gado. Flávio declarou: “Esses entraves que existem, ambientais, e principalmente por causa de razões ideológicas, a gente vai acabar”. Essa retórica alarmou ambientalistas, que veem nessa abordagem uma porta aberta para o desmatamento e a exploração predatória da região.

O Instituto Socioambiental (ISA) foi enfático em sua crítica, classificando a declaração de Flávio como um retrocesso no discurso sobre a Amazônia. Para a entidade, a visão de tratar a floresta como um mero recurso a ser explorado ignora os conhecimentos ancestrais das comunidades tradicionais e a importância dos serviços ambientais que a floresta oferece. Em um momento em que a luta contra as mudanças climáticas é essencial, promover a exploração desenfreada poderia levar o Brasil a uma era de devastação semelhante à da década de 1970.

A coordenadora do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, também se manifestou contra a fala do candidato. Segundo ela, a preservação ambiental não deve ser reduzida a um debate ideológico. Para Cristiane, a recente queda nas taxas de desmatamento na Amazônia, a menor desde 1988, está em risco diante da possibilidade de um governo que desconsidera a importância da proteção ambiental. “Proteções ambientais não são ‘entraves’. O que Flávio Bolsonaro vê como ‘entrave’ é, na prática, a garantia do direito ao meio ambiente equilibrado”, reiterou.

A lembrança de uma frase polêmica do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante o governo de Jair Bolsonaro, também ressurgiu nas discussões. Salles havia sugerido que aproveitasse a distração da população com a pandemia para flexibilizar as regras ambientais. Marcio Astrini, do Observatório do Clima, expressou preocupação com o retorno de uma agenda que prioriza o desmatamento e a destruição ambiental. Ele alertou que a abordagem de Flávio pode significar um retrocesso perigoso na proteção do meio ambiente no Brasil.