quarta-feira, 04/11/2026

Brasil apresenta diretrizes para auxiliar na redução do desmatamento e do consumo de combustíveis fósseis globalmente.

O Brasil se prepara para passar a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) para a Turquia, mas não antes de apresentar dois importantes documentos que delineiam estratégias para combater o…

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O Brasil se prepara para passar a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) para a Turquia, mas não antes de apresentar dois importantes documentos que delineiam estratégias para combater o desmatamento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A coletiva de imprensa, realizada nesta terça-feira (3) no escritório do PNUD no Brasil, marcou um momento significativo na luta brasileira contra as mudanças climáticas.

O primeiro documento foca na erradicação do desmatamento, enfatizando a necessidade de ações coordenadas entre os países e um financiamento robusto para a preservação das florestas. A ONU estima que os investimentos nessa área precisariam ser triplicados até 2030 para que os objetivos sejam alcançados de forma eficaz. Já o segundo documento aborda a transição energética, levando em conta as particularidades de cada nação e sugerindo métodos de implementação adequados a essas realidades.

Esta é uma abordagem inédita, uma vez que a presidência de uma COP não havia antes se apropriado de temas que não receberam consenso durante as conferências. O governo brasileiro tentou, em discussões passadas, incluir a transição energética nas deliberações, porém sem sucesso. André Corrêa do Lago, em resposta a críticas sobre a possibilidade de os documentos serem ignorados, garantiu que eles servirão como um guia valioso para o futuro das ações climáticas, especialmente com a COP31 se aproximando.

Corrêa do Lago ressaltou que os mapas do caminho levam em consideração as diversas realidades enfrentadas pelos países. Essa personalização da abordagem é essencial, já que cada nação deve encontrar sua própria trajetória para a sustentabilidade. A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também se manifestou, afirmando que esses documentos representam um legado da presidência brasileira e um esforço para evitar que o aquecimento global ultrapasse limites críticos. Ela destacou a recente queda no desmatamento como um sinal de que mudanças são possíveis, com o objetivo final de alcançar o desmatamento zero.

Entretanto, o Brasil enfrenta um dilema: enquanto busca avançar nas energias limpas, estuda a exploração de novos poços de petróleo na Foz do Amazonas. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reconheceu a necessidade de continuar investindo em fontes de energia renováveis, mas também ressaltou a realidade de um mundo que ainda depende dos combustíveis fósseis. “Não existe perspectiva, no curto prazo, de se abandonar combustíveis fósseis, infelizmente”, afirmou.

Os documentos serão apresentados ao presidente Lula antes de sua participação na COP31, marcada para os dias 11 e 12 de novembro, na Turquia. Ana Toni, diretora-executiva da COP30, destacou que os avanços da agenda de ação entre as conferências serão consolidados em um relatório a ser apresentado na próxima edição. Embora a adesão aos novos documentos não seja obrigatória, ambientalistas esperam que sirvam como um impulso para pressionar países que hesitam em avançar na implementação do Acordo de Paris, alegando limitações de capacidade.

Crédito da imagem: Mapa do caminho é divulgado