Na corrida presidencial de 2026, as propostas dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral, mas a discussão sobre questões cruciais para o Brasil ficou em segundo plano. O debate presidencial promovido pela TV Globo na última sexta-feira (23) revelou lacunas significativas nas abordagens dos postulantes a respeito dos desafios que o país enfrenta. Especialistas foram consultados para destacar os temas que mereciam mais atenção na disputa pelo Palácio do Planalto.
Dentre os tópicos deixados de lado, o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o envelhecimento da população se destacam. A saúde pública, um direito garantido pela Constituição, não recebeu a devida ênfase nos discursos eleitorais, apesar de sua importância vital para os cidadãos. O SUS, responsável por uma gama de serviços essenciais, enfrenta um futuro desafiador, especialmente com o aumento da expectativa de vida e a crescente carga de doenças crônicas. O professor Rudi Rocha, da FGV, alerta que o sistema precisará de mais recursos e uma integração maior para lidar com a complexidade dos serviços que serão exigidos.
Outro ponto relevante é a educação, onde a matemática no ensino médio apresentou um retrocesso preocupante nas últimas décadas. A presidente-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, destaca que o problema está ligado à formação inadequada dos professores e à falta de exploração da matemática no cotidiano dos alunos. O desafio é garantir que os estudantes desenvolvam competências matemáticas desde cedo, evitando que a defasagem se agrave ao longo dos anos escolares.
No campo ambiental, o fenômeno do El Niño está previsto para se intensificar até março de 2027, o que exigirá uma resposta mais robusta do país em relação aos desastres naturais. O climatologista Carlos Nobre ressalta que o Brasil não está preparado para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, que incluem secas prolongadas e enchentes devastadoras. Políticas públicas de proteção à população, especialmente as mais vulneráveis, são urgentes, uma vez que o aumento das temperaturas e as ondas de calor têm gerado um número alarmante de mortes.
A situação da população em situação de rua também merece destaque, com cerca de 390 mil brasileiros vivendo nessa condição, conforme dados recentes. Um estudo do Ipea revela a complexidade desse fenômeno, que demanda políticas públicas eficazes e um levantamento mais preciso sobre essa população. Tanto o programa de Flávio Bolsonaro quanto o de Lula carecem de propostas específicas voltadas para essa questão, evidenciando a necessidade de um compromisso mais forte dos candidatos em abordar as garantias de direitos para essas pessoas.
Esses temas, que vão muito além da retórica eleitoral, precisam ser uma prioridade nas discussões políticas, independentemente de quem ocupar a presidência. A saúde, a educação, a proteção ambiental e a inclusão social são pilares fundamentais para o desenvolvimento do Brasil e exigem soluções concretas e colaborativas.
Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo




